Parágrafos iniciais traduzidos de dois contos do livro Walk the Blue Fields (2007) de Claire Keegan.
A noite das sorveiras
Pouco depois da morte do padre, uma mulher se mudou para a casa dele, na Colina de Dunagore. Era corajosa, certamente nunca tinha morado no litoral: em menos de cinco minutos, depois de pendurar a roupa no varal, tudo voou e foi parar no brejo. Margaret Flusk não tinha chapéu, nem botas de borracha, nem marido. Cabelo castanho e comprido, que esvoaçava em mechas soltas, nas costas, como algas. Usava um casaco grande de pele de ovelha, que lhe caía perfeitamente, e quando olhava para o mundo, ordinário e mortal, fazia-o com a severidade de uma mulher que suportou muita coisa, mas sobreviveu.
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Rendição
Durante cinco dias, o sargento manteve a carta dentro do bolso do uniforme. O desejo de abri-la era acompanhado do medo de saber o que havia nela. Ultimamente, as cartas dela, que não tinham mudado, ganharam um tom diferente, e ele ouvira que outro homem, um professor, levava um um pônei para pastar nas terras do pai dela, que ficava nas montanhas. O pasto que lá havia era pobre e coberto de juncos. Se o sargento fosse fazer o que pretendia, o tempo estava acabando. A vida, ele percebia, o encurralava.